Contextualização Projetos ARI
A Fundação Alentejo tem vindo a reforçar, de forma consistente, a sua intervenção na valorização do património cultural, reconhecendo o seu papel estratégico na preservação da identidade do território e na promoção do desenvolvimento sustentável, numa lógica integrada de articulação entre salvaguarda patrimonial e dinamização cultural.
Neste contexto, o regime das Autorizações de Residência para Investimento (ARI) tem-se afirmado como um instrumento relevante de apoio à concretização de projetos de reabilitação patrimonial, permitindo conciliar investimento com interesse público, valorização cultural e desenvolvimento territorial.
À luz do exposto, a Fundação Alentejo submeteu ao Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais (GEPAC) um conjunto de candidaturas a projetos de natureza cultural, ao abrigo do disposto na alínea vi) do artigo 3.º da Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, na sua redação atual, visando a salvaguarda, reabilitação e valorização de ativos patrimoniais de elevado valor histórico e simbólico na região do Alentejo.
Salvaguarda, reabilitação e reutilização do património arquitetónico.
A candidatura “Palacete Fundação Alentejo: salvaguarda, reabilitação e reutilização do património arquitetónico”, relativa à reabilitação do imóvel localizado em Estremoz, foi aprovada por despacho da Senhora Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, a 9 de agosto de 2025, no âmbito do regime ARI.
O Palacete Fundação Alentejo, edifício neoclássico do século XIX, encontra-se implantado no Rossio Marquês de Pombal, centro cívico e simbólico da cidade de Estremoz, assumindo uma posição de relevância no tecido urbano e cultural.
A intervenção em curso visa a sua salvaguarda, reabilitação e reutilização, assente nos princípios da autenticidade, da reversibilidade e do respeito pelas técnicas construtivas tradicionais, integrando simultaneamente soluções de eficiência energética e acessibilidade.
Com cerca de 1.700 m², distribuídos por três pisos, e anteriormente utilizado como espaço de formação, o imóvel será reconvertido num polo cultural e artístico pluridisciplinar, com especial enfoque na música, mas aberto ao cruzamento com outras áreas da criação, da ciência e do conhecimento. A programação prevista inclui concertos, residências artísticas, conferências, exposições e iniciativas formativas, promovendo uma relação ativa entre património, cultura e comunidade.
O projeto inscreve-se numa visão de longo prazo, em que a valorização do património assume um papel estruturante no desenvolvimento cultural, social e territorial, reforçando a dinamização do centro urbano de Estremoz e a afirmação do Alentejo como território de criação, memória e inovação.
A candidatura “Convento da Orada: obras de salvaguarda e reabilitação do património arquitetónico” foi igualmente aprovada por despacho da Senhora Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, a 9 de agosto de 2025, no âmbito do regime ARI.
O Convento da Orada, localizado na envolvente da vila histórica de Monsaraz e integrado numa das paisagens culturais mais marcantes do Alentejo, constitui um imóvel de elevado valor patrimonial, histórico e simbólico, profundamente ligado à memória do território e à sua evolução ao longo dos séculos.
A concretização do projeto assenta num Protocolo de Cooperação celebrado entre a Fundação Alentejo e a Fundação Convento da Orada (FCO), assegurando a cedência da posse do imóvel para efeitos de implementação e gestão do projeto, mantendo-se a propriedade na esfera da FCO. Esta parceria garante uma abordagem técnica qualificada e uma articulação institucional sólida, orientada para a salvaguarda e valorização do património arquitetónico.
A intervenção prevista incide na salvaguarda e reabilitação integral do conjunto edificado, abrangendo componentes estruturais e funcionais, com especial enfoque na conservação dos elementos arquitetónicos, na melhoria das condições de eficiência energética e na adaptação do espaço às exigências contemporâneas de acessibilidade e utilização.
No plano funcional, o Convento será reforçado enquanto espaço museológico, centro de investigação, formação avançada e programação cultural, promovendo o cruzamento entre património, conhecimento e criação contemporânea, e afirmando-se como um polo ativo de dinamização cultural no território.
A candidatura “A Volta do Elefante”, aprovada por despacho de Sua Excelência a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto a 10 de março de 2026, insere-se numa abordagem inovadora de valorização cultural, assente na articulação entre património, criação artística e projeção internacional do território.
Este projeto materializa-se através da produção de uma obra cinematográfica de natureza cultural, inspirada em referências históricas e simbólicas associadas ao Alentejo, promovendo a reinterpretação contemporânea da memória coletiva e a sua difusão junto de públicos nacionais e internacionais.
A iniciativa assume particular relevância no contexto das indústrias culturais e criativas, ao mobilizar uma estrutura de produção altamente qualificada, envolvendo equipas técnicas, artísticas e científicas, bem como especialistas em investigação histórica e validação de conteúdos, assegurando rigor, autenticidade e qualidade artística ao longo de todo o processo.
Do ponto de vista conceptual, o projeto articula dimensões cultural, científica e territorial, integrando investigação, desenvolvimento narrativo e produção audiovisual. Neste contexto, o Santuário de Elefantes da Associação Natureza Pangea assume um papel central, constituindo o eixo narrativo da obra, ao acompanhar o processo de criação deste espaço e o percurso de elefantes resgatados de circos e jardins zoológicos até à sua integração num habitat natural no Alentejo, em resposta a um desafio europeu de bem-estar animal e conservação.
Paralelamente, o projeto promove a dinamização económica local e reforça a ligação entre cultura, ambiente e desenvolvimento territorial, incorporando práticas de renaturalização e valorização ecológica do território.
A estratégia de difusão e promoção da obra contempla uma forte componente de comunicação e disseminação, incluindo circuitos de exibição, mostras regionais e campanhas de promoção, contribuindo para a projeção do Alentejo enquanto território de criação cultural e inovação artística.
“A Volta do Elefante” configura, assim, um projeto estruturante que ultrapassa a dimensão estritamente artística, afirmando-se como um instrumento de valorização integrada do território, de reforço da identidade cultural e de posicionamento do Alentejo no panorama cultural contemporâneo, numa lógica de sustentabilidade, internacionalização e criação de valor público.

